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” Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade. Amo mais do que posso, sempre menos do que sou capaz. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais. ” Martha Medeiros

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Se não era amor - Martha Medeiros *--*





Se não era amor era da mesma família. 

Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados.
A carência.
A saudade.
A mágoa.

Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria à minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?

Não era amor, era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, era sacanagem.
Não era amor, eram dois travessos.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
Não era amor, era melhor. 

- Martha Medeiros

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